quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

LITERATURA MEDIÚNICA



A quem interessa a visão religiosa no Espiritismo?
Onde há a divulgação doutrinária?
Romances medíunicos e obras com mensagens não substituem a Codificação Espírita.
Fora da Codificação Espírita não há obras complementares,apenas obras paralelas;que expressam opiniões pessoais desse ou aquele autor.
Vemos, cada vez mais, o aumento do número de editoras e livros publicados, existem sempre novos lançamentos.
Em termos de quantidade a Doutrina Espirita esta farta, mas e em termos de qualidade?



Em se submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, em se lhes perscrutando e analisando o pensamento e as expressões, como é de uso fazerem-se quando se trata de julgar uma obra literária, rejeitando-se, sem hesitação, tudo o que peque contra a lógica e o bom-senso, tudo o que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser o que se está manifestando, leva-se o desânimo aos Espíritos mentirosos, que acabam por se retirar, uma vez fiquem bem convencidos de que não lograrão iludir. Repetimos: este meio é único, mas é infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os bons Espíritos nunca se ofendem com esta, pois que eles próprios a aconselham e porque nada têm que temer do exame. Apenas os maus se formalizam e procuram evitá-lo, porque tudo têm a perder. Só com isso provam o que são.
(O Livro dos Médiuns, cap. XXIV, item 166)


Não podemos esquecer uma coisa muito importante: Leis Naturais.
Assim, em toda a ciência, tem por base as teorias que repousam sobre as leis naturais.Quando procuramos conhecê-las,diferençamos o joio do trigo.No caso das opiniões pessoais, tendem sempre a contrariá-las e, aí, de posse de uma base sólida, podemos perceber as contradições.Como podemos ver não é mais um tempo de linha de pensamentos, mas sim,de conhecimento de Leis Naturais, isso é ciência.Nela devemos confiar.


Obras Póstumas

O princípio do melhoramento está na natureza das crenças, porque estas constituem o móvel das ações e modificam os sentimentos. Também está nas idéias inculcadas desde a infância e que se identificam com o Espírito; está ainda nas idéias que o desenvolvimento ulterior da inteligência e da razão podem fortalecer, nunca destruir. É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade.(Allan Kardec)

As pessoas que se posicionam perante a Doutrina Espírita com uma fé cega,se contradizem a si mesmas,pois acreditam professar algo no qual não levam a sério as propostas nele inseridas;por falta de comprometimento real e, com isso,nada se estuda e nem se aprofunda. Se ofendem facilmente quando percebem que são questionadas naquilo que acreditam e pensam que é doutrinário.
Aí,permanecem numa postura defensiva de se dizerem 'modernas' e que 'Kardec não disse tudo' e,rotulam aos outros, de intolerantes e arrogantes;porque não querem mudar a maneira como enfocam a Doutrina e querem que se aceitem as suas visões pessoais como uma liberdade individual de escolha.Suas bases se reportam a obras com mensagens e/ou romances dito 'mediúnicos' e se dizem muito ecléticos e sabedores dos milenares conhecimentos de determinadas correntes de pensamento que confundem com o contexto doutrinário(que errôneamente pensam que atualizam o Espiritismo).



Certamente, nossas crenças e valores, serão modificados ante o conhecimento bem compreendido, que virá pelo exercício da inteligência; onde a razão , essa faculdade de examinar e estabelecer relações de lógica rigorosa, será nosso guia seguro.

Os que agem pela fé cega demonstram que as conviccões pessoais(íntimas)ainda estão no campo de não se constituirem melhores valores e, com isso, não modificando sentimentos; só podem agir em concordância com a natureza que se edificou apenas na fé cega.

Resumindo:
A fé que lhes guia não lhes modificam os sentimentos.


Os livros dito 'espíritas' vendem milhões de exemplares e empolgam um público cada vez maior, mesmo sendo escritos por autores desconhecidos e adotando conteúdos questionáveis.

Todo médium que escreve seus livros, tem editora própria.Muitos médiuns estão usando o dinheiro dos livros para uso próprio.As editoras estão milionárias:as principais obras que mais vendem são da Zíbia entre tantos autores; e a editora Petit fatura alto e a Lúmen editorial também se enriquece...


É esse mercado fiel e cativo que faz de Zibia Gasparetto uma best-seller. As prateleiras com seus livros estão sempre repletas de leitores. Ela chegou a emplacar quatro títulos na lista dos dez mais vendidos – um em primeiro lugar. São mais de 4 milhões de exemplares de livros, em sua maioria feitos em “parceria” com o Espírito Lúcius.
Foi depois de ficar viúva que Zíbia começou a conquistar o prestígio do qual desfruta atualmente. De típica dona de casa tornou-se empresária. É dona, ao lado dos filhos Luiz Antônio (também autor) e Silvana, da Editora e Gráfica Espaço Vida e Consciência.

Ao contrário de Chico Xavier, Zíbia lida de forma mais tranqüila com o que ganha. Em recente entrevista a um site espírita, declarou: 'Quando comecei a ler sobre as leis da prosperidade, descobri que bloqueava o seu fluxo. Tinha muito preconceito contra o dinheiro, por achar que não era coisa espiritual. Mas não é verdade que alguém seja incapaz ou que não tenha condições de fazer fluir a prosperidade em sua vida – não só a financeira, mas também a prosperidade em termos de felicidade, alegria, saúde e tudo o mais que a componha'.


A questão é realmente preocupante.
O controle da universalidade e concordância do Ensino dos Espíritos que, na época de Kardec, era feito por ele e,conjuntamente,com o contributo dos Espíritos Superiores.Atualmente,deveria se ter mais editoras sérias,que não estejam preocupadas apenas com o lucro.


Allan Kardec, na fase da estruturação do Movimento Espírita, sabia que outros livros, que não os de sua autoria, seriam lidos pelos neófitos do Espiritismo, ávidos de informações do Além-túmulo; sabia, também, que algumas daquelas obras poderiam confundir o leitor inexperiente e, em razão disso, durante todo o tempo que editou a Revista Espírita, entre 1858 até 1869, foi incansável leitor das obras, mediúnicas ou não, que fizessem referências aos fenômenos espíritas e ao Espiritismo como Filosofia e Ciência,de consequências morais. Não as lia com o critério de quem fiscaliza, de quem acredita ser o único que dispensa a luz, mas sim de quem quer se informar, conhecer e informar aos seus leitores da coerência ou não daquelas obras com os postulados da Doutrina que nascera com O Livro dos Espíritos. No período de onze anos, o codificador publicou, aproximadamente, 140 comentários bibliográficos, analisando forma e conteúdo dos livros, dizendo o que pensava a respeito e orientando o leitor que os lesse com espírito crítico, separando o joio do trigo.

Com relação às obras mediúnicas, sua preocupação dobrava, pois conhecia a tendência natural das pessoas simples e de boa vontade em acreditar, sem muitas indagações, no que se dizia ser ditado pelos Espíritos, esquecendo-se serem eles tão defectíveis quanto os homens da Terra. Eis por que chamou a nossa atenção para as graves conseqüências do médium fascinado, que dá guarida aos Espíritos brincalhões, pseudo-sábios, mistificadores e interessados unicamente em combater o Espiritismo. Escreveu:

'A fascinação tem conseqüências muito mais graves. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente. A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.

Já dissemos que, muito mais graves são as conseqüências da fascinação. Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas.'
Como poderá levar – acrescento– aqueles que seguem suas teorias e procedimentos.


Ora, se o médium não analisa criteriosamente o que escreve em nome de tal ou qual Espírito, antes de o publicar, porque não tenha condições intelectuais ou porque esteja envaidecido com sua obra, o ônus será do leitor que - não acreditando em todos os Espíritos -, terá que ler entre linhas as sutilezas dos argumentos aparentemente válidos, mas, na realidade, não conclusivos, e que deixam claro a intenção de gerar dúvidas. São os sofismas: argumento que parte, muitas vezes, de premissas verdadeiras, ou tidas como verdadeiras, mas que não chega a uma conclusão consonante com o conjunto lógico da Doutrina Espírita.

Proliferam, tal como ocorria à época de Kardec, os livros que se insinuam como de natureza espírita, de autores encarnados e desencarnados; mas que, na verdade, têm conteúdo duvidoso, prenhe de sofismas, contribuindo para gerar confusão, tentando destruir o que já se construiu de bom no Movimento Espírita. Diante disso, como deve agir o leitor menos experiente que não tem mais o professor Allan Kardec para o orientar? Estude a Codificação Espírita.

Autor espiritual - Segundo o seu estágio evolutivo e sua filosofia de vida, o Espírito poderá ditar ensinamentos divergentes dos contidos no corpo da Doutrina Espírita ou falar meias-verdades. Nem todos os Espíritos são espíritas.

Médium psicógrafo – Temos nomes consagrados no Movimento Espírita que já receberam e recebem bons livros. Mas não os endeuse. São tão defectíveis como qualquer outro ser humano. Não devemos esquecer que 'Um médium é instrumento pouquíssimo importante como indivíduo. Por isso é que, quando se têm instruções que devem aproveitar à generalidade dos homens, os Espíritos se servem dos que oferecem as facilidades necessárias.' Ora, para falar da doutrina codificada por Allan Kardec, as facilidades que podem encontrar os Espíritos no médium, serão, sem dúvida, o seu alinhamento com as Obras Básicas. Alguns médiuns são dissidentes.


A editora é garantia? – Algumas merecem a nossa confiança no que publicam em relação ao Espiritismo, outras oferecem livros que têm conteúdo mesclado, trazendo ensinamentos espiritualistas, mas não espíritas. As editoras laicas vêm publicando livros já consagrados como espíritas. Para essas, quem dita seu comportamento é o mercado.


Somente uma leitura criteriosa da obra por quem conhece os princípios básicos da Doutrina vai garantir que se trata ou não, de um livro espírita, podendo ser divulgado como tal. O Codificador nos convida a usar o bom senso e a atentar para o princípio da universalidade das comunicações mediúnicas, alertando-nos que '[...]As instruções dadas pelos Espíritos sobre pontos da doutrina ainda não esclarecidos, não teriam força de lei, enquanto permanecessem isoladas; só devendo, por conseguinte, serem aceitas sob todas as reservas e a título de informações.[...]Só devendo ser apresentadas como opiniões individuais, mais ou menos prováveis,mas tendo, em todo o caso, necessidade de confirmação.'

Ninguém está autorizado a condenar esta ou aquela obra literária que não esteja alinhada pelo Espiritismo, nos seus aspectos científico-filosófico,de consequências morais. Seria uma atitude contrária ao Espiritismo, que prega a liberdade de pensamento e de expressão. O Mestre de Lyon, orientando os interessados em estudar o Espiritismo, depois de relacionar algumas obras de sua autoria, acrescenta: “Os que desejem tudo conhecer de uma ciência devem necessariamente ler tudo o que se ache escrito sobre a matéria, ou, pelo menos, o que haja de principal, não se limitando a um único autor. Devem mesmo ler o pró e o contra, as críticas como as apologias, inteirar-se dos diferentes sistemas, a fim de poderem julgar por comparação.”


Não devemos inferir, no entanto, do aconselhamento do Codificador, que as Casas Espíritas devam divulgar em seu meio, obras de conteúdo duvidoso e, muito menos vendê-las em suas bancas;em nome da liberdade de pensamento e de expressão, pois, agindo assim, estaremos contribuindo para disseminar a fascinação do escritor entre os freqüentadores da Instituição e fomentar a dúvida e a discórdia entre eles.